Usar o
vento da melhor forma possível ou criar condições para minimizar seus efeitos
contrários, sempre foram princípios básicos na concepção do caiaque. O perfil do
casco, o baixo pontal (altura) e a defasagem das pás do remo, são alguns
exemplos que podem ser citados. Embora o caiaque seja uma embarcação
genuinamente de propulsão a remo, nada impede de tirarmos proveito dessa fonte
auxiliar.
Depois
de passar anos tateando em busca de soluções para minha aspiração de equipar um
caiaque com vela, descobri que havia muitas formas de realizá-la. Algumas eram
bastante simples, outras quase que inconcebíveis, de tanta
parafernália.
A forma
mais trivial e melhor assimilada pelos leigos para se navegar à vela é tendo o
vento pela popa ou seja, o vento que atinge o barco diretamente por trás. Para
aproveitá-lo, basta um pequeno mastro introduzido entre o convés (deck) e o piso
(parte interna do casco) do caiaque, uma vela triangular tipo stay sail e uma
escota para controlá-la. Para melhorar a dirigibilidade e deixar as mãos livres
para segurar a escota, o melhor é instalar um leme. Já para navegar em outras
mareações (posição do vento em relação ao rumo do barco) será necessário
utilizar uma bolina; a forma mais simples é usar uma lâmina de compensado naval
lançada pelo bordo a sotavento (lado onde sai o vento). Sem essa peça, navegar
com vento de través ou em orça folgada será quase impossível, devido ao grande
abatimento lateral
Embora
não tenha o mesmo rendimento dos pequenos veleiros e uma maior limitação quanto
à intensidade do vento (até força 4 na escala Beaufort), a satisfação de ver o
caiaque em movimento com a força do vento é muito gratificante
Existem
também outras formas para se aproveitar o vento. Alguns canoísta utilizam uma
espécie de pipa (kite), que se assemelha a um mini pára-quedas e possui
dimensões inferiores a 1 metro quadrado. Esse dispositivo é atado ao caiaque e
lançado para cima com a finalidade de rebocar o barco em ventos favoráveis
(empopadas). O recurso de usar o vento como forma auxiliar de propulsão é
bastante desconhecido para a maioria dos canoístas brasileiros, porém ele existe
e pode dar um outro sabor a suas aventuras na água.