Caiaque à vela
Por: Luis Vitor Hilsdorf
Usar o vento da melhor forma possível ou criar condições para minimizar seus efeitos contrários, sempre foram princípios básicos na concepção do caiaque. O perfil do casco, o baixo pontal (altura) e a defasagem das pás do remo, são alguns exemplos que podem ser citados. Embora o caiaque seja uma embarcação genuinamente de propulsão a remo, nada impede de tirarmos proveito dessa fonte auxiliar.
Depois de passar anos tateando em busca de soluções para minha aspiração de equipar um caiaque com vela, descobri que havia muitas formas de realizá-la. Algumas eram bastante simples, outras quase que inconcebíveis, de tanta parafernália.
A forma mais trivial e melhor assimilada pelos leigos para se navegar à vela é tendo o vento pela popa ou seja, o vento que atinge o barco diretamente por trás. Para aproveitá-lo, basta um pequeno mastro introduzido entre o convés (deck) e o piso (parte interna do casco) do caiaque, uma vela triangular tipo stay sail e uma escota para controlá-la. Para melhorar a dirigibilidade e deixar as mãos livres para segurar a escota, o melhor é instalar um leme. Já para navegar em outras mareações (posição do vento em relação ao rumo do barco) será necessário utilizar uma bolina; a forma mais simples é usar uma lâmina de compensado naval lançada pelo bordo a sotavento (lado onde sai o vento). Sem essa peça, navegar com vento de través ou em orça folgada será quase impossível, devido ao grande abatimento lateral
Embora não tenha o mesmo rendimento dos pequenos veleiros e uma maior limitação quanto à intensidade do vento (até força 4 na escala Beaufort), a satisfação de ver o caiaque em movimento com a força do vento é muito gratificante
Existem também outras formas para se aproveitar o vento. Alguns canoísta utilizam uma espécie de pipa (kite), que se assemelha a um mini pára-quedas e possui dimensões inferiores a 1 metro quadrado. Esse dispositivo é atado ao caiaque e lançado para cima com a finalidade de rebocar o barco em ventos favoráveis (empopadas). O recurso de usar o vento como forma auxiliar de propulsão é bastante desconhecido para a maioria dos canoístas brasileiros, porém ele existe e pode dar um outro sabor a suas aventuras na água.